Minha aventura no Peru começa com um frio de lascar em Cusco e uma certa sensação de falta de controle do corpo.
Desembarcar no aeroporto de Cusco, a 3400m acima do nível do mar, é uma sensação ímpar. Primeiro, a sensação de flutuação, depois a flauta andina e os simpáticos peruanos tocando como se nada estivesse acontecendo.
O melhor mesmo é deparar-se com um enorme outdoor do McDonalds na saída do aeroporto da antiga capital do Império Inca. Nada mais globalizado e desestimulante.
Tomar um táxi no Peru, mesmo em Cusco, que, aviso, não é uma cidade peruana, é uma cidade Inca, pode ser uma aventura e tanto. Como bonequinha previdente que sou, tive o cuidado de reservar um hotel que incluísse tranfer in/out (pra os que não entenderam nada, traduzo: transfer in-aeroporto/cidade, transfer out - cidade/aerorporto). Contudo, em Cusco, isto não significa garantia de nada.
Para resumir a história, o taxista queria me cobrar pela corrida, incluída na diária do hotel. Como sul-americana e , coitado, nas vésperas da famigerada TPM, dei um famoso chilique com classe e consegui fazer valer meu direito.
Enfim,depois do taxista, do trânsito louco, infinitamente pior que o paulista, chego ao centro histórico, simplesmente fantástico. Abro parênteses pra falar do trânsito. Se você é como eu, que fez 25 aulas na auto-escola, vai se sentir um vitorioso vendo um motorista peruano em ação. Eles desconhecem, ou não faz parte da cultura, segundo meus colegas antropólogos, a seta, o sinal de trânsito, a ultrapassagem pela direita e, principalmente, o limite de velocidade. É mais animado que o bugre nas areias de Genipabu! Adrenalina pura.
As lhamas, ai, as lhamas. Chegando ao centro histórico, vejo a imagem idílica das descendentes dos Incas com suas lhamas e bebês devidamente "slingadas" em suas faixas coloridas. Diga-se de passagem, foi uma grande decepção saber que esta imagem é montagem para gringo ver. Prefiro acreditar que as lhamas ainda são animais sagrados, apesar de, constantemente, vê-las nos cardápios dos restaurantes Cusquenhos.
As iguarias servidas são um capítulo à parte. Como sou bem comedida, preferi ficar com minha sem graça "Ceasar Salad". Podem me criticar, mas meu lado chato, que, diga-se de passagem, é bem grande, não me deixou cair de boca nas pobres das lhamas, alpacas ou no pobrezinho do cuy (um porquinho da índia fofinho, que era devorado pelos Incas).
A cidade é espetacular. A praça das Armas, a Catedral, o Koricanchka (antigo templo do Sol Inca), o Museu Pré-colombino,enfim, um luxo só. Pra se ter uma idéia do que é Cusco, pense em Parati e seu calçamento pé-de-moleque, numa altitude assustadora, acompanhada de lindas montanhas, um friozinho delicioso, cores vibrantes nas roupas dos moradores e uma quantidade absurda de sítios arqueológicos espalhados pelos quatro cantos. Pros puristas que só viajam pras Zoropa, deixe seu preconceito de lado, e desfrute um charme que os alemães, russos e japoneses já descobriram. Detalhe importante sobre a cidade: É um ótimo point para solteiros, pois há gente interessante do mundo todo. Se você, além de solteiro, for praticante de salsa e falar inglês, é bem provável que viva uma história romântica em terras peruanas.
Nos arredores de Cusco, há interessantes sítios arqueológicos recentes. Esqueça o senso comum sobre os Incas. Eles viveram entre os séculos XIII e XVI, até a chegada dos "incapazes", mais conhecidos como espanhóis. Para visitar estes sítios, contrate um bom guia, exceto se for estudioso de cultura pré-hispânica. Do contrário, verá somente pedrinhas... Em Cusco, tive uma experiência surpreendente com o melhor guia que tive nos últimos tempos: Pepe Vilhena.
Mas isto fica para depois...
Fotos do Peru. Clique aqui