A bonequinha vil


22/01/09


 

Um lituano no Rio

 

Nas minhas andanças por aí, acabei parando na exposição do Lasar Segall, que está em cartaz no Instituto Moreira Salles.

 

Falemos um pouco do Instituto. Poucos moradores do Rio freqüentam o aprazível casarão na Gávea. Para os desavisados, é um luxo só. Uma construção no melhor do estilo modernista, com um Café super aconchegante à beira da piscina, cinema e belas galerias de exposição.

 

O Segall dispensa apresentações. Um artista lituano que elegeu a nossa cidade  para expressar dor, sofrimento e angústia tão presentes em suas obras, especialmente as do período expressionista.

 

A retrospectiva apresenta obras anteriores à Semana de 22, ainda com traços cubistas, peças da década de 40, especialmente naturezas mortas e obras da década de 50. Essas sim, instigantes. Florestas camufladas, quase abstratas, com gradações tonais semelhantes às de  Georges Braque. Imperdível!

 

 

 

Escrito por Juliana às 18:11
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A poesia e as corujas

 

Hoje, tive a grata surpresa de receber a visitinha de duas queridas amigas. Após intensa discussão do programinha a fazer, optamos pelas corujas que habitam a Letras e Expressões do Leblon as terças à noite.

 

O evento chama-se Corujão da Poesia e é simplesmente o máximo. Onde mais poderíamos participar, ativamente se quisermos, de uma vigília de poesia e música?

Pra quem tem cisma com o Leblon, devo dizer que não ir ao Corujão é um ato de desamor pela vida cultural da cidade.

Tem de tudo um pouco. Poetas consagrados, gente desconhecida que pega um livro e resolver ler um poema qualquer, atores que fazem performances e música, muita música  de boa qualidade. Ontem, teve até um dançarino de dança de rua.

O evento é promovido pelo João, assessor de imprensa da UNIVERSO, que vem agitando a noite carioca com estes saraus noturnos. O cara é uma figura. Simpático, enérgico com os bebuns e com as moças falantes, mas sem dúvida, um cara especial.

Se você for como eu, insone, arrisque uma visitinha. Na pior das hipóteses, ira se deliciar com as comidinhas do Café, os livros ótimos do estoque do Salvador e, se for solteiro, com as pessoinhas interessantes que andam por lá. Diga-se de passagem, um celeiro e tanto!

Durante as apresentações de música, lembrei-me muito das aulas sobre cultura grega. Como conseguimos dissociar música de poesia? Poiesis, no classicismo grego, unia as duas vertentes artísticas numa só. E foi isso que vi no Corujão da Poesia. Poiesis no melhor sentido grego.

 

 

Escrito por Juliana às 01:31
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19/01/09


Sobre o jeito lisboeta de viver

 

O lisboeta não é um português típico. Habituado com a enorme quantidade de turistas, é dos lusitanos mais cosmopolitas. O que não significa que esteja alheio às tradições. O cumprimento, por exemplo, não é  tão efusivo quanto na ex-colônia, a pontualidade  é praxe, os professores e os alunos são sempre Srs Doutores e assim por diante.

 

Apesar da crítica dos brazucas, eu adoro. Tenho muitos amigos por lá. E não são amigos do tipo "passa lá em casa". Convidam mesmo. Colocam-se à disposição, sempre que necessário.

Voltando à pesquisa sobre homens interessantes, indico Lisboa. O homem português adora casar. A conquista é bem diferente, por isso, não se assuste se for convidada  dez vezes para um café ou para um jantar. É cultura. Na maioria das vezes, só rola papo nesse período.

 

Então, se não quiser reforçar a fama de "animada" na qual a mulher brasileira está envolta, entre na onda. Eu acho uma delícia. Nada de pensar que o lisboeta se parece com o Sr Joaquim da padaria. No meio acadêmico conheci muitos alunos bem interessantes. Casados, mas interessantes. Como no Brasil, cultivam o (péssimo) hábito de morar com a matriarca até os 30 anos ou até o casamento, que na maioria das vezes, acontece em uma Igreja católica. Para quem gosta de tradição, deixe Santa Teresa de lado e junte as moedinhas do cofrinho pra investir em Lisboa.

 

 

 

Escrito por Juliana às 12:34
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SAUDADES DA TERRINHA

  

  

Ontem, após o telefonema de uma amiga pedindo dicas de Portugal, fui acometida por um vento de nostalgia. Estou com saudades de Lisboa, meus amigos queridos, o pastel de Belém, a praia de Oeiras, a Dani, as crianças...

 

Há dois anos, quase me mudei de mala e cuia para a Terrinha.Processo em mãos, matrícula na Universidade, casa e colo de amigos, mas na última hora, recuei. Não que Lisboa não seja aprazível, mas foi difícil me livrar das montanhas, dos amores, da minha mãe e da minha amiga Márcia.

 

Dar as tais dicas sobre Lisboa é um boa forma de  me fazer lembrar de coisas tão queridas em épocas tão difíceis. Os mais próximos lembram do fatídico outubro de 2007.

Vamos a Lisboa...

 

Os chiques me perdoem, mas gosto mesmo é de viajar pela TAP, naquele voo(sem acento) simpático e direto do Rio. Durante as quase nove horas de espera, já dá pra sentir o gostinho lusitano nos omeletes de fiambre, no sotaque dos comissários e na programação musical.

 

Ao desembarcar, quando não há ninguém me esperando, opto pelo Aerobus, que custa a bagatela de 3 euros e me deixa na Estação de comboios, rumo à Oeiras. No trajeto, pode-se admirar a estação de metrô de Picoas, feita pelo Guimard, em estilo Art Nouveau, os casarões dos séculos XVIII e XIX, os vendedores de castanha e as Igrejas. Se porventura, você não entendeu o que é estação de comboios, significa que você fala e escreve brasileiro. Definitivamente, não falamos o mesmo idioma. Mais adiante, providenciarei um glossário.

 

Como sabem, meu foco artístico não me afasta dos Museus e demais equipamentos culturais. O centro histórico de Lisboa  nos dá a certeza sobre nossa origem.  Gosto especialmente do casario próximo ao Parlamento e toda a região do Jardim do Príncipe Real. O parlamento, apesar de Neoclássico e super sisudo, tem ao seu redo um casario do século XIX  nos moldes do século XVII.

Olhe Lisboa com cautela. Se for um observador da arquitetura brasileira vai perceber semelhanças com as cidades de Parati, Olinda e Ouro Preto. É uma cidade para ser degustada...

        

Escrito por Juliana às 12:23
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18/01/09


 

 

Clique para ver tudo que você pode comprar na feira de antiguidades da Praça XV, nas manhãs de sábado. De ficha de telefone a aparelhos de  manivela.

E aproveite para ver coisas que não deseja ver jamais, como fios enrolados em fios atrás da sua televisão e do seu computador.

Breve serão lembranças do passado.

 

 

Escrito por Bonequinha às 00:59
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07/01/09


LIRINHA, FALÁCIAS E MERCADORIA

 

 

 

 

 

Fim de semana animado!


Amigos, um pouco de sol, Rio de Janeiro e teatro no Oi Futuro. Não sei se conhecem, mas o antigo Centro Cultural Telemar, outrora Museu do Telefone, é uma graça!


Localizado entre o Rebouças e o Santa Bárbara, exatamente na Rua Dois de Dezembro, o Oi Futuro abriga ótimas exposições de arte contemporânea, um café fofo no terraço e um teatro que costuma apresentar peças longe do clichê.


Pois, a peça em cartaz, chamada "Mercadorias e futuros", é uma destas surpresas de fim de tarde, início de noite de verão. Primeiro, a atuação magistral do vocalista do grupo Cordel do Fogo Encantado. É provável que, se você tiver mais de quarenta anos, nunca tenha ouvido falar sobre esta banda pernambucana. Não se sinta excluído. Acesse o site da banda e divirta-se.


Voltando à peça, tive a ligeira impressão de ter visto algo parecido em "Regurgitofagia",encenada pelo Michel Melamed no ano passado. Bem, eu não entendo nada de teatro, mas adoro provocações. A peça de Lirinha é, antes de tudo, uma provocação. Durante quase duas horas de espetáculo, ele tenta vender seu livro de profecias sobre o futuro da humanidade. A expressão corporal, a ausência de cenário, a voz e a apatia da platéia, completam o espetáculo. Um detalhe importante é a discussão sobre o consumo em tempos pós-modernos.


Depois do teatro, que tal uma ida à Santa Teresa? Se você gosta de gente com gente dentro, sugiro uma cerveja no Mineiro ou no Gomes. Em que outro lugar do Rio, você pode conversar sem traumas sobre literatura ou cinema? Se estiver solteira, aproveite! Parece-me o lugar com a maior concentração de homens interessantes do Rio.
Está lançada a pesquisa. Onde estão os homens interessantes da cidade? Se tiver dicas, não hesite em compartilhar!

 

Serviço:
Oi Futuro
Rua Dois de Dezembro,
De 02 de janeiro a 01 de fevereiro de 2009
De sexta a domingo às 19:30h
http://www.oifuturo.org.br/oifuturo.htm#/espacocultural/teatro.asp

Cordel do Fogo Encantado:
http://cordeldofogoencantado.uol.com.br/

Bar do Mineiro:
Rua Paschoal Carlos Magno, 99
Santa Teresa - tel: 2221-9227

Bar do Gomes
Rua Áurea com Monte Alegre
Bairro: Santa Teresa

 

Escrito por Juliana às 22:05
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31/12/08


Escrito por Bonequinha às 23:56
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Bonequinhas from Tiradentes

 


ÚLTIMO DIA

Tiradentes, definitivamente, é fotogênica.


Nascida em 1716 pode-se esperar umas e outras rugas.


Mas ela encanta.

Tem charme.

Envolve e captura seu olhar em cada parede, porta ou artesanato.

Poucas cidades roubam o olhar a cada passo.

O olhar só sai do visor da câmara para ver outra e outra foto impressas pela retina.

Fotografa-se qualquer coisa.

Uma cor, muitas cores, uma janela, um muro.

A torre da igreja,

a dança dos telhados misturada ao verde.

Um cachorro deitado, feliz na porta da sorveteria descansando após uma noitada animada.

Uma cidade cercada de muralhas enormes de pedra.

As montanhas separam a cidade do mundo e vamos nessa de carona.

Ficamos, assim, aprisionados pelo encanto até sermos exauridos da capacidade de ver.

Vou embora com a certeza de que volto e, novamente, serei seduzida.

 

 


Clique aqui para ver o filme que a Bonequinha viu.

 


Escrito por Bonequinha às 23:49
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Clique aqui para conhecer o futuro das namoradeiras

Escrito por Bonequinha às 23:41
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JANELAS VITRINES



Ver vitrines em Tiradentes.

Um exercício artístico do olhar.


Dezenas de turistas entram ansiosos nas lojas e se esbarram, fotografando.


Há beleza nos vidros de pimenta, nas mantas de tecelagem, nos bancos da Maria Fumaça, nas ruas geométricas e nas janelas, com ou sem namoradeiras.


Para o homem da cidade, uma janela térrea colorida que dá para a rua é um privilégio e uma inocência que não pode mais ter.


Em Tiradentes, as grades estão no lugar certo.


Nas janelas da cadeia velha.

 

Clique aqui para ver as fotos de Janelas Vitrines


 

Escrito por Bonequinha às 18:32
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ANDRÉ ESQUECEU O SHAMPOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



André Emoingt esqueceu de trazer shampoo pra Tiradentes.


Parado, perplexo, defronte a prateleiras repletas de marcas, não consegue decidir.


Shampoo afro ativador de cachos, redutor de volume, reduz o volume e mantém a forma dos cachos com a exclusiva MAX queratina, anti-frizz, hidratante, anti-resíduos, terapia da cor, ressecados, tingidos e alisados, ou tratados, ou danificados, ou pontas quebradiças, longos, curtos, com ou sem brilho.

Com vitamina E e filtro solar, romã, pró-vitamina B, tratamento instantâneo, dermatologicamente testado, limpeza profunda, amêndoas e karité, complexo hidratante com óleos vegetais, hidratante 24 horas e desembaraçante, somente para uso profissional, etc...

Pedia, intrigado, à vendedora impaciente, um shampoo para LAVAR A CABEÇA.


Após percorrermos todas as farmácias e drogarias da região, eis que algo lhe chama a atenção e ele abre um sorriso e compra um vidro de SHAMPOO PARA HOMEM.

 

 


Escrito por Bonequinha às 18:25
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30/12/08


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EPITÁFIOS E NAMORADEIRAS


Em Tiradentes se compra namoradeiras, panos de tecelagem, namoradeiras, flores e borboletas de todos os materiais, móbiles de três ou quatro tipos e namoradeiras.
Os cemitérios ainda são dentro dos terrenos das igrejas.
Gosto dos epitáfios. Morto, ninguém foi de todo mau.
Faço as contas, e morre gente de todas as idades.
Gosto dos túmulos de cidades pequenas.

Detesto o Cemitério São João Batista.
Acho frio, feio, pobre, impessoal, mal-tratado.

Nem consegue ser triste.
Banaliza a morte e nos tira qualquer importância.

Nas lápides de Tiradentes escreve-se o apelido do morto:

Feiúra, João do Bicho, Dona Mariquinha.

O morto é personalizado.
Há charretes pintadas com desenhos infantis na pracinha de Tiradentes

e um imenso presépio com figurantes negros.

Em São João del Rei, para onde se vai de Maria Fumaça, como no Morro da Conceição, há uma rua chamada Jogo da Bola.

Ando a pé, sem rumo, e não me perco.

Casais me pedem que lhes tire fotos.

O trem Maria Fumaça é a Mona Lisa local.
Há filas de famílias fotografando na estação.
O turismo iguala e infantiliza as pessoas.
Devidamente igualada, fotografo o que posso carregando sacolinhas de compras: flores, borboletas, móbiles e, claro, namoradeiras.

No cardápio de hoje

havia profusão de pratos com frutos do mar.

Um artista inovador cria o namoradeiro. Acho justo.


 

Clique e veja as fotos de epitáfios e namoradeiras

 

 

 

Escrito por Bonequinha às 17:48
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29/12/08


Eu, assassina.

Sempre me considerei uma pessoa que respeitava a vida. Mudei. Ontem tive certeza disso.
Tudo porque cometi um assassinato frio, meticuloso e calculado.
Estou em Tiradentes. Cidade mineira habitada e freqüentada por goianos e próxima demais da vida selvagem. Estou falando de insetos! Insetos que estariam muito bem em qualquer super-produção blockbosta hollywodiana.
Detesto insetos. Adoro Tiradentes. Não existe composição possível entre estes dois sentimentos.
Fui desfazer a cama e, ao puxar a colcha, voou um micro ser que pousou, delicadamente, no lençol branco. Sem óculos, achei que o "pacotinho" era um pedacinho rasgado de uma folha de livro. Os óculos me apontaram a realidade dos fatos. Era uma traça.
Primeiro, como bom ser urbano, vivendo em habitat dedetizado e, portanto, desacostumada com a vida animal, acreditei que estava morta.
Coloquei o pseudo-cadáver no cinzeiro. Acendi meu cigarro e me atraquei com D. Pedro II. Fui bater a cinza e achei que estava delirando. O pacotinho estava vivo!
Se mexeu? Como? Não era um defunto? Ah! Bobagem.
Nova cinza e... Vejo sair de dentro do pacotinho uma minhoca com uma ponta de cabeça cor-de-mel. Era a traça saindo de sua segurança casular para espiar o novo mundo em que havia caído.
Foi exatamente nesse momento que me tornei uma assassina.
Pensei em qual a melhor e mais eficaz forma de matá-la já que não vislumbrava possibilidade de coexistirmos (?!) no mesmo espaço-tempo.
Decidida peguei o cinzeiro e me dirigi ao banheiro.
Entre o lixo, com uma vaga possibilidade de sobrevivência, e o vaso sanitário, escolhi o último.
Joguei o alien e dei a descarga. Pensei comigo: E se os budistas estiverem certos? E se fosse um antepassado reencarnado? E o que estaria sentindo a traça naquele instante? Terror minhocal?
Tarde demais. Já havia optado pelo papel de vilã.
Ontem matei uma traça.

 

Escrito por Bonequinha às 01:56
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O ACENO CORRESPONDIDO

 

Viajar de Maria Fumaça, subir e descer ladeiras calçadas com pés-de-moleque cercadas por casinhas coloridas de sacada é confirmar minha mineirice.

Talvez meu primeiro aniversário tenha sido comemorado no Rio de Janeiro.

Não tenho mais a quem perguntar.

Mas o céu alto de Minas, as nuvens mais brancas e mais direcionadas,

a fala cantada, tudo me faz sentir em casa.

Foi daqui que eu vim, estou certa.

Diamantina é o berço da família.

Mas estou em Tiradentes, onde se vende namoradeiras

as bonecas namoradeiras.

Compro tudo que brilha ou balança pendurado.

É tudo que tenho certeza que minha neta de três meses gosta.

Pendurou, brilhou, balançou pra ela, Isadora sorri.

Vi árvore de pau-brasil, ruas de casas totalmente tortas,

muitas lojas vendendo as mesmas coisas e, claro, igrejas.

Dois mil e oito pode ir embora.

De bom, trouxe Isadora.

Mas em nenhum dia deu descanso à protuberância discal

que eletrocutou diariamente minha coluna.

Chorei em fisioterapeutas, hidroterapias, ortopedistas, osteopatas, fisiatras, psiquiatras, homeopatas, vegetoterapeutas, e constelação familiar.

O ano passa e com ele o eletrochoque que irradiava dos meus alicerces.

Isadora funda uma nova família.

Escrito por Bonequinha às 01:08
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Tiradentes tem presépio gigante na pracinha

onde Nossa Senhora é Iansã.

Vivemos no mundo dos passeios de fotografia.

Os turistas se esquecem de usar seus próprios olhos.

A imagem quer ser revista.

A fumaça branca do trem que apita

fala ao coração de toda gente.

Viajávamos como bonecas namoradeiras na janela.

De tudo que vi, revivi, conheci ou lembrei,

o que mais me encanta é acenar para os que olham o trem que passa.

Bebês são treinados, adultos se alegram.

Não perco um aceno.

O aceno fugaz e correspondido

entre aquele que passa e aquele que fica

é o adeus mais singelo e verdadeiro do mundo.

 


Escrito por Bonequinha às 01:05
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Chove, os paraguas não resolvem...

 

Em mais um dia chuvoso em pleno verão, acordo, ainda em meio a ressaca do Natal, lembrando-me das palavras do nosso guia em Veneza.

            O mês é maio, estamos com um grudo em Veneza, eis que surge Fernando, Fernandúvida, segundo co hilário Leandro. O cara, sem dúvía, é uma figura. Durante o passeio sobre a cidade alagada, pergunta várias vezes o que mostrar em Veneza. Afinal, estamos num curso de História da Arte e Veneza, lhe parece tão desinteressante. Não sei como isso é possível, mas é o que pensa nosso querido Fernandúvida.

            Durante as duas horas de hidro-passeio, repete mais de vinte vezes que os paráguas não resolvem. Isso mesmo, além de tudo nosso "guiasuperfigura" fala um portunhol que só ele entende.

            Permita-me  explicar o que ocorre. Eu detesto chuva no verão. Estou no Rio, quero dizer , em Niterói, é dezembro, quase janeiro, e chove sem parar. Que tédio! Como viajo pra Turquia em fevereiro, minha vã filosofia me fez supor que tomaria todo sol do mundo em dezembro e janeiro com o objetivo de me preparar para o frio intenso do carnaval turco. -Um parêntesis: sei lá se exista carnaval na Turquia,ta!   A propósito, acho muito chato esse papo de aquecimento global, até porque, para uns, isso virou quase um ente, uma entidade. Enfim, detesto o aquecimento global e essa chuvinha intermitente.

            Falemos sobre Niterói. Para os cariocas, especialmente para os que vivem enclausurados entre o Rebouças e o Santa Bárbara, ou nos condomínios Além-Niemeyer, convido a virem conhecer a terra de Araribóia. O MAC, por exemplo, dispensa apresentações, além dele, um simpático casarão do século XIX, chamado Solar dos Jambeiros, é uma graça. Fica no bairro do Ingá e tem uma arquitetura invejável. Sugiro o passeio, especialmente para aqueles que acreditam que o melhor de Niterói é a vista para o Rio de Janeiro.

            Apesar do meu lado Pollyana estar quase morto diante desta chuva intermitente, ontem, fui à praia. Em Niterói, é claro. Camboinhas, para ser mais exata. Uma nesga de sol e, muita cxhuva, depois de duas horas. Para compensar tanta frustração, um papo mulherzinha com minha querida e, desculpem os ciumentos, minha melhor amiga, um peixinho com molho e camarão e um siesta, porque ninguém é de ferro.

            Confesso que a noite foi mais interessante. Como andava de mau humor por causa da bendita chuva, eis que, inesperadamente, rola um convite para um restaurante italiano. Na verdade, comecei a falar e Veneza por causa disso. Devo dizer, que a combinação é perfeita. Boa companhia, masculina é claro, afinal fou um dia bastante mulherzinha, um antipasto ma-ra-vi-lhoso, Coca Zero,porque já bebi minha cota de vinho de 2008 e muito papo. Papo sobre tudo, especialmente viagens. Como é praxe por aqui, depois do antipasto e do jantar, percebemos uma certa ansiedade dos garçons da casa em nos expulsar. Ao olhar ao redor, vimos que já tinham se passado mais de três horas e, que além de nós, havia apenas um outro casal no restaurante. Vimos que era hora de partir.

           

           

 

Escrito por Bonequinha às 00:38
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23/12/08


PRAÇA XV. VENDEM-SE MEMÓRIAS

Dia de feira.

De quinquilharias e de antiguidades. Um mar de barracas, algumas com alegres toldos listradinhos de verde e branco e outras sisudas sem coberturas de festa. Barracas de sem-teto, barracas de "chão".

Barracas, barracas, barracas, Uma overdose, com infinitas viagens.
Mercadorias para todos os gostos e bolsos. Uma infinidade de bricabraques ( isso é junto ou separado?) espalhados por ilhotas de madeira.

Arquipélago de tudo.
Deveria ser chamada de Feira de Memórias. Todos podemos encontrar nossas infâncias, adolescências, nossos "não mexe nisso, menina !".

Revisitamos e recompramos nossa história de vida, e compramos para nossas memórias as vidas dos outros. Desconhecidos que passam para nosso território.
Compram-se álbuns de fotos e ganham-se  novíssimos antepassados.

Podemos pedir a benção à outro bisavô e rir do chapéu de nossa nova tia, com cara de quem morreu virgem. Não há limite para nossas novas estórias.
Brinquedos? Milhares.

A infância está toda ali, exposta em uma promiscuidade que alegra e enoja, ao mesmo tempo.

Não resisti e recomprei um passado gostoso.

Comprei uma felicidade esquecida.

Em quantos lugares você consegue esse prazer?

Escrito por Bonequinha às 02:43
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21/12/08


Escrito por Bonequinha às 22:10
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TÚNEL DO TEMPO NA PRAÇA XV

 

Feira de antiguidades na Praça XV, uma viagem no tempo através dos objetos.

Encontramos broches como os da vovó, vasos como os da titia, brinquedos que não são mais fabricados, relógios como os de vovô, vasos, bonecas russas.

Espelhos, estatuetas, quadros, canetas tinteiro,  telefones antigos, abotoaduras.

Chapéus, frasqueiras, relógios de Cuco, objetos de mil novecentos e blá blá blá.

Podemos até passear sem comprar nada, mas lembrados de nossos "antecipados" (como dizia minha amiga americana).

Lembramos da infância, da decoração das casas, dos muranos, cristais, espelhos, óculos como os de nossa tia-avó.

Bom ir com uma irmã, uma prima, ou pelo menos uma contemporânea.

Curiosamente são vendidos álbuns de fotografias de famílias inteiras.

Na feira da Praça XV, você pode comprar a memória dos outros.

E refletir como aqueles objetos tão pessoais foram parar ali.

Pensamos então nas nossas coisas, nos nossos guardados, nos nossos objetos tão queridos, e, claro, num futuro longínquo.

Todos teremos morridos, filhos e netos, e talvez alguém herde nossas cartas, álbuns, lembranças com tantas histórias.

Tudo talvez encontre seu lugar numa barraca à venda.

Também compramos livros autografados.

Fiz muitas compras, broches, adoro broches, mas acho que não se usa mais.

Quem não tiver família pode inventar uma comprando fotos de avôs de bigodão e avós de coque e pose de senhora distinta.

Mais que um curioso shopping ao ar livre, é um lugar de reflexão e saudade.

Bom para levar filhos pequenos, netos, sobrinhos, e mostrar como se telefonava, como se moía carne, como se enchia uma caneta tinteiro.

Como se escrevia cartas antes dos e-mails.

É quase um museu.

Ri muito e quase fiquei com os olhos cheios dágua.

Não comprei o Topo Giggio para não parecer idosa.

Nem a Beijoca da Estrela.

Nem os soldadinhos do Forte Apache.

Preferi guardá-los na lembrança.

Depois fomos para a Rua do Lavradio ver os objetos de hoje.

Futuramente estarão por lá. Quem sabe.

Nem o futuro nem o passado devem me amedrontar.

Escrito por Bonequinha às 22:07
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17/12/08


 

Clique para ver as fotos 

Passeio no Morro da Conceição

 

 

Escrito por Bonequinha às 23:19
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EU E DEBRET, DEBRET E EU

 

 

O que você tem feito, perguntam. Tenho envelhecido, penso. Tenho me divertido. Sei que o Rio de Janeiro, como todas as grandes cidades, é violento. Mas eu saio de casa, passeio e me distraio. Eu me levanto da poltrona, desligo a tevê e vejo a outra cara da cidade. Finjo que sou turista. E olho em volta como pela primeira vez. Passeamos na Praça XV, no Paço e na Chácara do Céu, e na Primeira Ordem do Carmo, onde há um espetáculo de luz e som. Um fantasma de luz conta a história da antiga Sé. Visitamos o sítio arqueológico, que tal? Tudo isso no mesmo dia de sábado e eu nem faço questão do sol. Chove e faz sol ao mesmo tempo, nessa simpática manhã. Quase posso sentir os passos da família real.

Duzentos anos voaram. Somos todos fantasmas de luz.

Mal ganhamos as ruas, a noite, a multidão e as esquinas e já nos trancamos.

Quem teve medo e não saiu, saísse.

Volto pra casa como quem volta de viagem.

Fui longe, vi as ruas de Debret, sem cascas de banana.

Domingo arrisco um programa de índio, como se dizia. Vou de microônibus para a Feira Rural Contemporânea. Com esse nome, o que esperar? Chego no fim de feira, e só há mel , vinho e arco-e-flecha para vender. Eu e Sheila compramos carrinhos de madeira. André compra uma colher de pau. Meninos e meninas da modernidade.  Avó, compro uma boneca de pano preta para Isadora, tomo um suco e me dou por satisfeita.

Ontem, quinta, faço um passeio virtual pelo Morro da Conceição. Estou pasma. Se Debret visse isso... Entramos virtualmente nas casas, nos ateliês, no restaurante de esquina, espiamos pelas janelas, apreciamos as peças, os quadros, o antiquário.

Sou uma mulher passeadeira e gosto da minha cidade.

Enquanto Seu Lobo Solão não vem... aproveito pra circular.

Tenho mobilidade, olhos bem abertos.

O medo, eu guardo numa caixinha e tranco.

A televisão não consegue me assustar.

 

Clique aqui para ver as fotos.

 

Escrito por Bonequinha às 22:55
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           Minha aventura no Peru começa com um frio de lascar em Cusco e uma certa sensação de falta de controle do corpo.

Desembarcar no aeroporto de Cusco, a 3400m acima do nível do mar, é uma sensação ímpar. Primeiro, a sensação de flutuação, depois a flauta andina e os simpáticos peruanos tocando como se nada estivesse acontecendo.

O melhor mesmo é deparar-se com  um enorme outdoor do McDonalds na saída do aeroporto da antiga  capital do Império Inca. Nada mais globalizado e desestimulante.

         Tomar um táxi no Peru, mesmo em Cusco, que, aviso, não é uma cidade peruana, é uma cidade Inca, pode ser uma aventura e tanto. Como bonequinha previdente que sou, tive  o cuidado de reservar um hotel que incluísse tranfer in/out (pra os que não entenderam nada, traduzo: transfer in-aeroporto/cidade, transfer out - cidade/aerorporto). Contudo, em Cusco, isto não significa garantia de nada.

Para resumir a história, o taxista queria me cobrar pela corrida, incluída na diária do hotel. Como sul-americana e , coitado, nas vésperas da famigerada TPM, dei um famoso chilique com classe e consegui fazer valer meu direito.

          Enfim,depois do taxista, do trânsito louco, infinitamente pior que o paulista, chego ao centro histórico, simplesmente fantástico. Abro parênteses pra falar do trânsito. Se você é como eu, que fez 25 aulas na auto-escola, vai se sentir um vitorioso vendo um motorista peruano em ação. Eles desconhecem, ou não faz parte da cultura, segundo meus colegas antropólogos, a seta, o sinal de trânsito, a ultrapassagem pela direita e, principalmente, o limite de velocidade. É mais animado que o bugre nas areias de Genipabu! Adrenalina pura.

         As lhamas, ai, as lhamas. Chegando ao centro histórico, vejo a imagem idílica das descendentes dos Incas com suas lhamas e bebês devidamente "slingadas" em suas faixas coloridas. Diga-se de passagem, foi uma grande decepção saber que esta imagem é montagem para gringo ver. Prefiro acreditar que as lhamas ainda são animais sagrados, apesar de, constantemente, vê-las nos cardápios dos restaurantes Cusquenhos.

         As iguarias servidas são um capítulo à parte. Como sou bem comedida, preferi ficar com minha sem graça "Ceasar Salad". Podem me criticar, mas meu lado chato, que, diga-se de passagem, é bem grande, não me deixou cair de boca nas pobres das lhamas, alpacas ou no pobrezinho do cuy (um porquinho da índia fofinho, que era devorado pelos Incas).

         A cidade é espetacular. A praça das Armas, a Catedral, o Koricanchka (antigo templo do Sol Inca), o Museu Pré-colombino,enfim, um luxo só. Pra se ter uma idéia do que é Cusco, pense em Parati e seu calçamento pé-de-moleque, numa altitude assustadora, acompanhada de lindas montanhas, um friozinho delicioso, cores vibrantes nas roupas dos moradores e uma quantidade absurda de sítios arqueológicos espalhados pelos quatro cantos. Pros puristas que só viajam pras Zoropa, deixe seu preconceito de lado, e desfrute um charme que os alemães, russos e japoneses já descobriram. Detalhe importante sobre a cidade: É um ótimo point para solteiros, pois há gente interessante do mundo todo. Se você, além de solteiro, for praticante de salsa e falar inglês, é bem provável que viva uma história romântica em terras peruanas.

         Nos arredores de Cusco, há interessantes sítios arqueológicos recentes. Esqueça o senso comum sobre os Incas. Eles viveram entre os séculos XIII e XVI, até a chegada dos "incapazes", mais conhecidos como espanhóis. Para visitar estes sítios, contrate um bom guia, exceto se for estudioso de cultura pré-hispânica. Do contrário, verá somente pedrinhas... Em Cusco, tive uma experiência surpreendente com o melhor guia que tive nos últimos tempos: Pepe Vilhena.

Mas isto fica para depois...

 

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Escrito por Bonequinha às 22:54
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